sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Coisas da Vida



Lá estava eu, sim, mas acho que você não percebeu, ninguém percebeu, todos estavam preocupados com uma coisa chamada "vida". Bem, lá estava eu de moletom roxo, caminhando de maneira lenta. Observando tudo e todos ao redor. O meu coração batendo, uma folha amarela do começo de outono caindo no chão, uma leve brisa no meu rosto. Tudo era som e ao mesmo tempo nada. Foi nesse exato momento que percebi que um mundo respirava e expirava ao meu redor. É esse o problema. Sempre estamos com pressa, atrasados ou tentando desempenhar o papel de indiferentes, enquanto pessoas se perdem, outras se encontram por um milagre e o resto apenas se afogam em quilômetros de decepções e frustrações.

Talvez não seja uma má ideia observar o local, escanear o parque com a sombra dos olhos que já foi um dia de uma garota feliz. Ver e ganhar vida outra vez. Comecei a caminhar mais lentamente. Um senhor estava apertando um papel amassado contra a mão, com um ar de perdido. Talvez esteja relembrando momentos passados, contudo, são tantas possibilidades que tenho medo de me perder em pensamentos também. Logo a frente, um cachorro estava correndo em direção de duas crianças que seguravam um sorvete em cada mão.

Depois de uns dez passos encontrei um banco que estava ocupado por um rapaz. Ele nem percebeu que havia "alguém" o expiando. Usava uma camiseta preta do Green Day, e o cabelo era bagunçado de modo que dizia "sou estiloso". Seus dedos moviam rapidamente sobre a tela do celular touch. Resolvi sentar ao lado dele, mas nada aconteceu. Nada. Todos estão preocupado com o tudo e esquecendo do nada. Estamos preocupados com a vida que passa longe e esquecendo do agora. E o agora desliza lentamente a cada tic tac do relógio. "Acordem", quero gritar.

Apoio a minha mão no joelho e desvio o meu olhar para um pouco além. Me perco no horizonte. Em poucos minutos o rapaz ao meu lado pega a mochila pela a alça menor e levanta sem ao menos tirar a visão da tela brilhante. Em seguida, uma senhora de cabelos grisalhos e olhos azuis brilhantes, ocupa o lugar vazio. Continuo imóvel. Uma mão passa pelo o meu ombro, então me assusto e olho para esquerda. A minha companheira de banco parece está a fim de jogar conversa fora:

- O que uma jovem da sua idade faz aqui?

-Talvez fazendo o que todos fazem? - respondi. com uma pergunta.

-Você não pode afirmar isso. Olhe a sua volta. Felizmente não nascemos com o dom de ouvir pensamentos. O próprio pensamento é uma ação.

-Uma ação - refletir

-Preciso ir. Tenho coisas para fazer. Coisas da vida.

A senhora se levantou e foi desaparecendo. Fiquei atordoada com aquele comentário despreocupado. Então, é isso. É hora de agir. viver enquanto estou vivendo. Me levanto e começo a correr. Correr, bons tempos. E ao mesmo tempo que as horas vão morrendo, eu vou ganhando vida.
Gostaram? Foi apenas um texto que fiz e acabei esquecendo entre os arquivos. Até mais!

7 comentários:

  1. Uau, que texto lindo. Adorei!!! *---*

    Até mais!
    Math // de-livro-em-livro.blogspot.com

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  2. Lindo texto! Escreve muito..
    Seguindo (:
    http://staffbooks.blogspot.com.br/2014/08/a-parte-reflexao-em-uma-tirinha.html

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  3. Segui seu blog, poderia seguir de volta?
    www.blogdaaveiro.blogspot.com
    Se seguir de volta, estarei constantemente aqui lhe visitando :)
    Beijocas e obrigada!

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  4. Você escreve bem Dani, enquanto lia pensei que era um trecho retirado de algum livro, parabéns!
    Beijos!

    Blog Sobre Makes e Balanças

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  5. Olá como vai? Nossa que texto lindo adorei, parabéns! Ainda bem que vc lembrou dele no meio do seus arquivos pois ficou bem legal para compartilhar aqui ;)
    beijinhos
    Lilian Lima
    www.lilianlima.com

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